quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Ensino Recorrente

Eu frequento o Ensino Recorrente na Escola Secundária de Paredes.
Como é de conhecimento geral, foi criado um sistema para dar habilitações aos portugueses (Novas Oportunidades). Sim habilitações, porque para mim não passa disso, conhecimento é uma palavra que, parte das pessoas que frequentam esses "cursos" desconhece.
Com a implantação desse sistema, um dos objectivos do governo é acabar com o Ensino Recorrente. Na minha escola já é visível a desertificação. E para culminar essa tendência a própria escola fechou o bar à noite, alegando falta de funcionárias para o turno de dia, ou seja, os alunos da noite são passados para segundo plano.
Pois desde que fechou o bar, no ínicio deste periodo, vê-se menos gente na escola. Uma grande parte dos alunos, tal como eu, têm meia hora desde que sai do emprego(18:30) para passar por casa, tomar um banho e ir para a escola (19:00). E aí estamos até ás 11:45 horas sem jantar. Como é óbvio, com o bar fechado temos que: numa primeira hipótese ir ao Café em frente á escola, onde os serviços são mais caros e com menos qualidade. Numa segunda hipótese podemos levar de casa um lanche e comer no intervalo, e como no Inverno a escola é muito fria, e apetece comer e beber alguma coisa quente, temos que levar uma torradeira e um microondas para preparar o lanche. Não é de admirar o facto de termos que levar electrodomésticos de casa, porque em Dezembro de 2005 a minha turma teve que comprar um aquecedor para poder aguentar com o frio.
"É caso para dizer que o melhor é ficar em casa, ir para o Café jogar umas cartas ou um bilhar, que a qualquer momento há a possibilidade de passar pelas intalações das Novas oportunidades, durante umas semanas, e trazer um certificado de habilitações do 9º ou 12ºano, e assim poder concorrer a um emprego, em pé de igualdade com quem frequentou a escola durante 9 ou 12 anos". É justo!!!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Porta 65

Estou muito desapontado com as novas regras para me candidatar à porta 65.
Nas vésperas do final do prazo da entrega das candidaturas à porta 65, preparei a minha candidatura com muito cuidado para não haver erros. Depois de ter tudo pronto, qual o meu espanto quando tento submeter a minha candidatura e o sistema não aceita, aparecendo uma janelinha onde diz que a tipologia do meu apartamento não é compatível com o meu agregado familiar. Como por enquanto somos apenas duas pessoas, somos "obrigados" a mudar de casa para poder concorrer ao subsídio.
Como é do conhecimento geral, o governo tem adoptado políticas de natalidade. Políticas de natalidade!? Devem estar a brincar. Antes de tentar candidatar-me à porta 65, ainda havia a hipótese de termos um bébé a médio prazo. Agora com esta "ajuda" do Estado essa hipótese passou de médio prazo para longo prazo.
Outra das ajudas que o Estado nos dá, é o facto da minha esposa trabalhar para o próprio Estado e estar sujeita a qualquer momento ir para o olho da rua. Pois é, isto acontece porque trabalha com um contrato de um ano não renovável.
Com tudo isto, vou fazer como eles querem: ter meia dúzia de filhos, pedir um apartamento num bairro social à Câmara Municipal e viver à custa do rendimento mínimo e dos abonos.
Trabalhar para quê???